terça-feira, 5 de outubro de 2010
Porn Food OU O Futuro da Televis�o
sábado, 8 de maio de 2010
O dia em que confundiram o Alem�o com Mick Jagger
O MIB com um cartaz onde se lia "MIck Jagger" foi a primeira coisa que ele viu, assim que saiu da �rea reservada em dire��o ao sagu�o - um daqueles momentos em que a piada vem pronta, r�pida, quase imediata. Olhou para o homem sem parar de caminhar, abriu um sorriso discreto e fez um sinal - universal - com a cabe�a, como se fosse o pr�prio. O pr�prio Mick Jagger.
O pobre homem fez men��o de ir ao seu encontro quase ao mesmo tempo em que as pessoas come�aram a rir, atropelando sua inten��o no reconhecimento da brincadeira. Alem�o seguiu em frente, c�lere, rindo com a esposa e o primo, imaginando como tudo se torna ir�nico quando algu�m destacado para buscar Mick Jagger no aeroporto n�o tem a m�nima ideia de quem ele seja ou como se pare�a.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Quando eu levanto a minha voz,
Quando eu levanto a minha voz,
perco.
Quando eu levanto a minha voz,
ainda que cheio de raz�o,
perco.
E o que fica � o estrondo
os decib�is que explodem
acima de nossas cabe�as.
Quando eu levanto a minha voz,
perco
- exce��o feita a aquele momento em que
do meio da multid�o, ela se eleva.
Mas mesmo ent�o,
perco,
se n�o consigo dizer nada,
n�o,
se ningu�m ouve nada,
ou se eu falo sem raz�o.
(por isso tudo tenho andado calado, a me perguntar onde est� a minha voz, o destempero e a empolga��o; penso, repenso e calo, fundo, silente, inerte, em v�o)
At� mesmo este poema
- torto, tamb�m pudera,
vindo da boca de quem vem -
poderia ser n�o.
(leio no jornal not�cias sobre o coletivo Wu Ming e a� � que me pergunto, de vez, quem foi que me deu permiss�o, a quem interessar possa, por que que a gente � assim, e fala tanto - com ou sem raz�o)
terça-feira, 30 de março de 2010
Uma l�grima por Armando Nogueira
Obviamente - e infelizmente - n�o jamais o encontrei no plano f�sico, portanto dele n�o posso falar como colega, comandado ou amigo; mas sinto como se o tivesse, embalado ao longo de muitos anos por suas palavras m�gicas, combinadas em textos na imprensa escrita ou eletronica, declamados (como poesia que s�o) por tantas e t�o belas vozes, como a sua pr�pria. Conheci-o tamb�m atrav�s da televis�o, por via indireta (atrav�s de conceitos inseridos desde sempre na alma de n�s brasileiros) ou direta, em seus programas na tev� a cabo ou nas - j� h� algum tempo raras - entrevistas.
Cultivei com ele aquele elo que nos faz mais que admiradores, entusiastas, ciente o tempo todo que daqueles olhos calmos, daquela finesse incontest�vel, brotavam fa�scas de genialidade e inspira��o.
Por isso chorei, silente, no Jornal Nacional de ontem, e repeti a dose no Jornal da Globo, como quem perde um amigo querido. N�o o choro da tristeza ou do desespero, incab�veis, mas o choro discreto e incont�vel de quem testemunha um adeus de algu�m que marcou sua trajet�ria com os signos da lucidez racional e da imagina��o afetiva, de maneira incontest�vel, rica e inesquec�vel.
A um mestre cantado por tantos, juntei minha l�grima em ova��o, como um coro da torcida no Maracan�, que ontem velou calado seu �ltimo adeus.
sexta-feira, 19 de março de 2010
N�s n�o amamos Brigitte Bradot
Cresci ouvindo falar daquela mulher lind�ssima, lour�ssima, talentos�ssima, t�o famosa quanto os Beatles ou Marilyn Monroe, que encantara o mundo por mais que uma gera��o e se retirara no auge, tornando-se uma reclusa esquisitona que propaga(va) aos quatro ventos preferir os animais aos seres humanos.
"Como � que pode, largar tudo para viver uma vida assim, quase mon�stica, entregando-se a uma loucura dessas, gatinhos e c�ezinhos, cavalos e beb�s-foca... Muito louca, isso sim...", diziam meus pais e todos aqueles que antes a veneravam.
Depois conheci B�zios, no estado do Rio, e toda a mitologia reunida ao redor e sobre sua visita inesquec�vel ao Brasil em 1965, da Rua das Pedras �s praias (n�o mais, h� tempos) quase virgens.
Mas foi s� bem mais tarde, nas madrugadas do extinto Telecine Classic, que pude apreciar mais a fundo sua beleza loura, sua intensidade e seu talento. Nem parecia que ela permanecia viva, enclausurada na velha casa que escondeu e escancarou a um s� tempo, ao mundo e a quem interessasse, sua lenta degenera��o em decrepitude. (Re) Descobri BB viva, ao assistir um punhado de filmes e descobrir que sentia por ela o mesmo tes�o de f� que me une indelevelmente a umas poucas outras estrelas como Liz Taylor e Audrey Hepburn - que envelheceram de forma t�o dessemelhante.
No que chovo no molhado, uma vez mais: estrelas n�o morrem, ainda que tentem faz�-lo em vida, com suas opini�es estridentes e idiossincrasias pouco compreendidas, e assim renascem a cada gesto, os de estreia tanto quanto os longos feneceres, como se suas luzes astrais teimassem em brilhar vindas l� de cima, para descer lenta e calmamente � Terra ao longo dos s�culos.
Por isso reencontr�-la agora, meio de surpresa, atrav�s do document�rio de Benjamin Roussel "Brigitte criou Bardot", de 2007, foi t�o impactante. V�-la defender seus pontos de vista com clareza, intelig�ncia e verve, vestida do corpo sovado pela velhice que quase a torna mais uma vez bonita, em seu (j� n�o t�o) novo papel de anci�, chega a comover. Sua luta a colocou � frente de seu tempo, antecipando tend�ncias da moda como o abandono (parcial) do uso de peles naturais pelos avatares da moda, pressagiando temas marcantes do fimde s�culo como o ambientalismo, instigando desde h� quase quarenta anos a discuss�o t�o moderna a respeito da crueldade de abatedouros e que tais.
"O ser humano � um horror, o que n�s fazemos..."; "sinto-me mais � vontade entre os animais que entre os seres humanos"; "fiz o que fiz para tentar sobreviver em um mundo que me � hostil" s�o algumas das frases (feitas) pela atriz ao longo de uma hora de entrevistas e memorabilia, pela primeira vez -pelo menos para mim - colocadas em perspectiva,dentro de um contexto que se aproxima do que podemos imaginar seja a vis�o dela, com respeito e sem bl�-bl�-bl�.
La Bardot vive, aninhada no desejo - e mais uma vez digo "quase" - inconfess�vel que sua imagem adolescente provoca em n�s nos velhos filmes de sua �poca, e - repito, pelo menos para mim - na compreens�o recent�ssima da import�ncia de sua trajet�ria.
O mundo n�o a merece, e na cabe�a ecoa Gaisbourg, com a vers�o (original) que contrap�e t�o apropriadamente ao "Je t'aime" (te amo), o "moi non plus" (nem eu).
terça-feira, 9 de março de 2010
A cachorra cheira-bunda II
De vez em quando volta � antiga moradia, que est� arrumando para alugar, e (re)encontra a cheira-bunda. �, a cadela que o seguia por toda parte at� uns dias atr�s...
Junto com ela, que � preta como piche, agora vive um machinho louro, vira-lata tamb�m, no terreno vago em frente � casa (velha).
Pois n�o � que a cheira-bunda achou o caminho, e hoje apareceu do outro lado da cidade, sabe-se l� como? Depois a gente ouve falar de hist�rias como esta e n�o acredita que � poss�vel, mas hoje a vi com meus pr�prios olhos.
Chegou toda suja de �leo diesel, chorando e ganindo como se pedisse ajuda ao amigo, que prontamente deu-lhe um banho, casa e comida. O percurso? Coisa de uns quatro quil�metros, no m�nimo.
"E a�, vai ficar com ela, Oswaldo?"
"P�, bicho, e tenho outra coisa pra fazer? Depois dela percorrer um caminho desses?"
Pois �, Oswaldo, ou o faro dela � bom demais, ou o cheiro � muito forte...
sábado, 9 de janeiro de 2010
Crian�as com c�ncer ficam sem tratamento em Ponta Grossa
| Link para www.jmnews.com.br Sa�de | |||
| Crian�as com c�ncer ficam sem tratamento em PG | |||
| Pacientes s� recebem atendimento na cidade quando � caracterizado caso de emerg�ncia; crian�as precisam fazer sess�es de quimioterapia em Curitiba | |||
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| Enquanto se fala em grandes obras no setor de sa�de, pacientes ainda reclamam de falta de atendimento nas estruturas que j� existem em Ponta Grossa. Uma parcela da popula��o que permanece sem aten��o s�o as crian�as com c�ncer. A chamada 'oncologia pedi�trica' n�o existe no munic�pio, e todo paciente que necessite de tratamento precisa se deslocar at� Curitiba, em hospitais como o Pequeno Pr�ncipe. De acordo com o vereador e m�dico Pascoal Adura, que fez visitas recentemente a diversos hospitais, a Santa Casa j� realizou esse atendimento, e possui equipamentos e disposi��o para atender a esse p�blico. Mas ainda falta a autoriza��o do Minist�rio da Sa�de para realizar o servi�o, desativado h� muitos anos. "Hoje as pessoas t�m que enfrentar fila do Paran� inteiro, porque hoje existem apenas dois oncologistas pedi�tricos em Ponta Grossa, que prestam atendimento no Hospital da Crian�a e que est�o dispostos a dar esse atendimento", diz Pascoal. Segundo o vereador, o ideal seria fazer um conv�nio entre Santa Casa e o Hospital da Crian�a. Mas isso vai depender de diversos fatores. O presidente da Comiss�o de Instala��o do Hospital Regional, Adroaldo Ara�jo, informa que a nova estrutura tamb�m ainda n�o prev� o tratamento de oncologia pedi�trica. � essa morosidade e aparente falta de empenho do poder p�blico que preocupam Denise Grachinski Frasson. Em outubro de 2009, depois de duas semanas recebendo tratamento para alergia respirat�ria, seu filho de cinco anos foi diagnosticado com leucemia. Numa emerg�ncia, ficou internado na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital da Crian�a por 21 dias. Em seguida, deu continuidade ao tratamento no Instituto Sul Paranaense de Oncologia de Ponta Grossa (Ispon). Mas agora ela luta para manter a realiza��o do tratamento na cidade, onde s� s�o atendidos casos emergenciais. "O tratamento nos hospitais de Curitiba � excelente. O problema � o deslocamento que precisa fazer. Al�m do desgaste financeiro, tem um desgaste f�sico e emocional muito grande. Nesse momento a crian�a e os pais ficam numa situa��o de muita fragilidade", explica Denise. "Ter o tratamento em Ponta Grossa � de extrema import�ncia, assim como treinar os pediatras para o diagn�stico correto de casos de c�ncer. Precisamos de menos obras, e mais aten��o ao tratamento", diz. Tratamento era pouco eficiente De acordo com o secret�rio municipal de Sa�de, Winston Bastos, deve fazer cerca de 20 anos que a cidade n�o possui atendimento de oncologia pedi�trica. "Mas, na verdade, Ponta Grossa nunca teve esse tratamento, porque era algo muito incipiente. Faltavam profissionais", afirma. M�nica Lankszner � oncologista pedi�trica do Ispon, e reconhece a grande falha no atendimento a esses pacientes na cidade. "Hoje todas as crian�as s�o encaminhadas para Curitiba. Mas, da nossa parte e do Ispon, existe o interesse de realizar esse tratamento. A demanda existe, com certeza. Falta apenas o credenciamento", diz. | |||